Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de maio, 2018

Whiplash - A estreia perfeita de Damien Chazelle

Sangue, cadeiras voando e um acidente de carro. O espectador desavisado pode achar que trata-se de um filme de terror, afinal, com todos esses ingredientes, quem poderia imaginar que Whiplash - Em Busca da Perfeição (2014) é um filme sobre música? Hollywood tem nos presenteado com grandes diretores desde sempre, Hitchcock, Kubrick, Scorsese e blá blá blá... Tantos e tantos outros medalhões do cinema mundial, referências tão fortes que, ás vezes, fica difícil parar e assistir filmes de diretores mais jovens e nem tão consagrados assim por, simplesmente, termos medo de experiências frustrantes e aquela sensação de perda de tempo, no melhor estilo "DEVOLVE OS MINHAS 2 HORAS DE VIDA!". Mesmo sendo muito jovem, Damien Chazelle (33 anos) já chega com o pé na porta em sua estreia mundial com Whiplash, faturando nada menos que cinco indicações ao BAFTA e também ao Oscar em sua primeira e magnifica obra. O longa conta a história de Andrew (Miles Teller) um joven extremam...

Logan - Despedida em grande estilo.

Despedidas são difíceis, o adeus é complicado, ainda mais quando estamos acostumados a ponto de substituir em nossas mentes as imagens da realidade e não conseguir imaginar o mundo sem determinadas coisas que, para nós, começam a fazer parte fundamental da normalidade. Nos próximos anos, vamos ter que nos comformar com a ausência daquele cara que modificou completamente os conceitos de incorporar um personagem de HQ. Desde X-Men: O Filme (2000), Wolverine é Hugh Jackman e Hugh Jackman é Wolverine, sem sombras de dúvidas um dos melhores castings que eu você já vimos retirado de uma história em quadrinhos, mas em Logan (2017) o ator se despede do público em um fechar de cortinas sensacional com direito ao seu melhor trabalho como o personagem e um dos melhores filmes do subgênero, que carecia de mais qualidade técnica e leveza no CGI à um tempo. Logan (2017) - James Mangold. O que James Mangold, que já tinha dirigido o regular Wolverine Imortal (2013), faz aqui é incrível, s...

Bingo: O Rei das Manhãs, uma obra de arte Brasileira.

Se você acha que o cinema brasileiro é apenas formado por comédias pastelão do Leandro Hassum e realidades da favela do José Padilha, está tremendamente enganado. Um bom exemplo disso é Bingo: O Rei das Manhãs, filme dirigido por Daniel Rezende, sendo esse inclusive, seu primeiro trabalho como diretor, antes disso Daniel trabalhava com edição, inclusive vencendo o BAFTA de melhor edição e também indicado ao Oscar, ambos pelo seu trabalho em Cidade de Deus (2002). Bingo: O Rei das manhãs é uma comédia dramática brasileira de 2017, protagonizada por Vladimir Brichta (Augusto Mendes - Bingo), Cauã Martins (Gabriel - Filho de Augusto) e Leandra Leal (Lúcia - Produtora do programa Bingo). Além da boa recepção nos cinemas brasileiros, Bingo foi selecionado pelo Ministério da Cultura em parceria com a Academia Brasileira de Cinema como representante brasileiro na pré-lista do Oscar de melhor filme estrangeiro. O roteiro do filme de Luiz Bolognesi é inspirado no período da vid...

Historia por trás dos filmes. Rocky, um lutador.

Por volta dos meus 10 anos, estava passando pelos canais da tv e me deparei com uma cena de treino, o cara estava socando carne em um frigorifico e aquilo me chamou atenção, sempre gostei muito de artes marciais e tudo que envolvesse a mesma, resolvi parar pra assistir aquilo. O filme foi passando e quando eu percebi, já estava de pé soltando os socos junto do Rocky e gritando em meus pensamentos “ESQUIVA, ESQUIVA, ACERTA A BARRIGA”, a luta acaba e é declarado um empate. Eu então fui ver o que eu estava vendo e o que iria vir em seguida na programação. Era uma maratona de filmes do Rocky, do 1 ao 6 transmitido pelo canal TCM. Vi todos os filmes e estava apaixonado pela franquia. Até hoje sou um grande fã, mas não deixe as palavras te confundirem, afinal não sou tão velho. O tempo passou e eu sempre procurava nos canais para ver se estava passando, eu era fascinado pelos filmes. O meu favorito sem dúvida era o sexto filme, mostrando toda a garra do Rocky e com grandes cenas. Mas essa...

Deadpool 2 - Crítica SEM SPOILER

Menos de um mês depois do lançamento de Vingadores: Guerra  Infinita , Deadpool 2, a aguardada sequência do longa do mercenário tagarela, finalmente estreou e assim como o primeiro filme as apostas em um humor deliberado e toneladas de referências a cultura pop são evidentes. A direção de David Leitch não passa despercebida, assim como em De Volta ao Jogo (2014) e Atômica (2017) o diretor presenteia o espectador com fantásticas cenas de duelo corpo a corpo. Talvez o grande problema da sequência, comparada ao primeiro filme, é a falta do fator surpresa, as referências envolvendo inclusive a concorrente (DC Comics) e outros longas envolvendo personagens da Marvel, as frequentes quebras de quarta parede, tudo isso já era esperado pelo espectador, diminuindo assim o impacto causado. Como já tinha sido mostrado no trailer, o próprio filme tira sarro dos problemas de roteiro, o filme se sustenta com uma enxurrada de referências, piadas e aparições inusitadas. Se tratan...

Pré Filme - A Casa Que Jack Construiu (Lars Von Trier)

O diretor Lars von Trier, conhecido por trabalhos como Anticristo (2009), Melancolia (2011) e Ninfomaníaca (2013), que juntos são conhecidos como "A Trilogia da Depressão", aposta desta vez em um drama bastante violento. A Casa Que Jack Construiu ou no original "The House That Jack Built" tem lançamento marcado somente para 29 de novembro de 2018 nos cinemas dinamarqueses (país de origem do diretor), porém, já vem causando bastante polêmica. O filme  conta  a história de Jack (Matt Dillon), um serial killer que considera seus assassinatos, obras de arte, o longa foi exibido no 71° Festival de Cannes e causou bastante revolta da platéia, inclusive sendo chamado de "nojento", "pretensioso" e "torturante". Apesar de ser considerado "extremamente gráfico" pela revista "Variety", o filme também é repleto de cenas violentas, como citado na publicação da revista, o filme mostra o personagem principal, Jack, atirando...

Por Que Gostamos Tanto de Click?

Adam Sandler está muito longe de ser uma unanimidade no cinema mundial. Com filmes de qualidade discutível, que possuem quase sempre os mesmos atores, a mesma fórmula de roteiro, e o mesmo tipo de humor, Sandler recebe, quase sempre, uma enxurrada de críticas negativas tanto do publico em geral quanto da mídia especializada. Falar mal do Adam Sandler virou quase um clichê em posts de blog, sites de criticas ou grupos de redes sociais, ainda assim, alguns de seus filmes agradam uma outra grande parte do publico por serem divertidos, leves e, simplesmente, entreterem, tanto que Como Se Fosse a Primeira Vez (2004), A Herança de Mr. Deeds (2001), O Paizão (1999) e Gente Grande (2010) fizeram lá seus lucros e se tornaram grandes clássicos da Sessão da Tarde. Mesmo sendo massacrado pela Rotten Tomatoes, que deu ao filme uma pontuação de 32% (“Tomate Podre”), Pontuação de 50 em 100 (Criticas mistas ou médias) no Metacritic e chegando ser acusado de ser uma imitação “que não produz riso...

Mother! - A grande alegoria de Aronofsky.

Até que ponto um filme pode ir para inovar na experiência do público? O quanto ele pode arriscar? Em qual nível ele pode tentar incomodar o espectador sem ser mal visto? Aronofsky não liga muito para essas questões, muito pelo contrário, quanto mais subversivo, melhor. A premissa de Mother! (2017) é simples, o longa é uma metáfora gigante. Ele não é um daqueles que contém algumas mensagens escondidas, é uma grande mensagem explícita travestida de filme. Por trazer um modo não muito convencional de passar essa narrativa, os espectadores não conseguem se sentir a parte ou em cima do muro, as pessoas amam ou odeiam Mother!, mas ninguém deixa de assistir e comentar sobre ele. OBS: Os personagens não têm nome, então serão tratados pelos nomes dos atores neste texto, menos a personagem conhecida como Mãe. O pano de fundo é bem básico, o personagem de Javier Bardem mora em uma bela casa em um bosque afastado da cidade, com bastante presença da natureza em volta, junto de sua esposa ...

Akira - O precursor do Cyberpunk japonês.

Filmes bons conseguem fazer você viajar no tempo, te levam para outras épocas que você não conseguiria conhecer, no passado ou no futuro. No cinema de ficção científica, falar sobre o tempo que ainda está por vir é algo muito explorado, como, por exemplo, viagens no tempo ou em que a sociedade pode se transformar em algumas décadas ou séculos, e se isso for bem feito, vai deixar essa obra imortalizada na mente de todos que a assistirem. A ideia de caos futurista que Akira (1988) tem para passar para o seu espectador é muito interessante, incluindo conflitos sociais, políticos, confrontos entre população vs polícia e o papel da "religião" na sociedade. O filme é inspirado em um mangá japonês de mesmo nome, do gênero Cyberpunk, escrito em 1982 sendo um dos primeiros a levar essa alcunha. Uma obra um tanto quanto revolucionária para a época em que foi lançada, mesmo que a sua versão audiovisual se tornasse muito mais cohecida e famosa que o próprio Mangá. Akira traz uma ce...

Se7en: Os Sete Crimes Capitais, o primeiro filme do David Fincher

Antes de começar, é importante lembrar que o primeiro filme do David Fincher foi o fracassado Alien (1992). Porém, como se trata de uma franquia, o diretor não teve tanta liberdade para inovar e mostrar do que era realmente capaz. Já em Se7en (1995), ele estava com os filmes sem suas mãos, e teve muito mais liberdade para trabalhar com o roteiro feito por Andrew Kevin Walker (Que inclusive foi indicado ao BAFTA de melhor roteiro original). Com mais liberdade, Fincher finalmente conseguiu mostrar todo seu potencial, que hoje é reconhecido por filmes como Clube da Luta (1999), O Curioso Caso de Benjamin Button (2008), A Rede Social (2010) e outros aclamados longas. Se7en é considerado um clássico, e aparece sempre nas listas de melhores "plot twist" do cinema, um filme muito bem aceito pela crítica, com 80% de aprovação dos críticos e 95% da audiência no site Rotten Tomatoes, uma média de 8,6/10 no IMDB.  Se7en é um filme que conquistou diversos públicos e continua conqu...

Hans Landa: O cão elegante.

Bastardos Inglórios (2009) por si só já seria um filme incrível. Começando pela brilhante direção de   Quentin Tarantino , que, dessa vez, se mostra bem menos “Tarantinesco”, deixando um pouco de lado a ultraviolência de seus filmes e o uso deliberado de baldes e mais baldes de sangue e apostando em um thriller que te prende desde o começo até seu fim apoteótico. Mas se engana quem acha que, diferente de outros filmes do diretor, esse filme também não está cheio de mortes épicas, cenas memoráveis e, claro... Sangue. Uma das grandes marcas de Tarantino é a grande quantidade de personagens icônicos de suas obras. Quem não se lembra da Noiva (Uma Thurman; Kill Bill vol. I e II – 2003/2004), os assassinos profissionais Vicent Vega e Jules Winnfield (John Travolta e Samuel L. Jackson; Plup Fiction – 1994) ou o pistoleiro e ex-escravo Django (Jamie Foxx; Django Livre – 2012), entre tantos outros... Todos eles com histórias fantásticas e atuações memoráveis em filmes épicos. Em...

O Discurso do Rei e o esquecimento Pós Oscar.

Algumas vezes, no cinema, certas coisas cooperam para a confusão mental do espectador. O Oscar é uma delas que, por esse motivo, acaba despertando uma relação de amor e ódio com o público. Porém, as vezes o Oscar não é o responsável por alguns estranhos destinos que ótimos filmes acabam amargando com o decorrer do tempo. The King's Speech, ou “O Discurso do Rei” como é conhecido no Brasil, é um excelente, aclamado e premiado filme britânico, indicado a 12 categorias do oscar de 2011, vencedor de melhor filme, melhor diretor (Tom Hooper), melhor ator (Colin Firth), e melhor roteiro original. O filme conta a história do príncipe Albert, que depois ficaria mais conhecido como Rei George VI, pai da atual rainha da Inglaterra Elizabeth II, e o seu problema com a Disfemia (gagueira), ou seja, um rei, que precisa fazer discursos, porém, é gago. O filme conta com excelentes atuações, Colin Firth e Geoffrey Rush se destacam. Narrativamente falando, o longa trata muito bem a in...