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Hans Landa: O cão elegante.

Bastardos Inglórios (2009) por si só já seria um filme incrível. Começando pela brilhante direção de  Quentin Tarantino, que, dessa vez, se mostra bem menos “Tarantinesco”, deixando um pouco de lado a ultraviolência de seus filmes e o uso deliberado de baldes e mais baldes de sangue e apostando em um thriller que te prende desde o começo até seu fim apoteótico. Mas se engana quem acha que, diferente de outros filmes do diretor, esse filme também não está cheio de mortes épicas, cenas memoráveis e, claro... Sangue.


Uma das grandes marcas de Tarantino é a grande quantidade de personagens icônicos de suas obras. Quem não se lembra da Noiva (Uma Thurman; Kill Bill vol. I e II – 2003/2004), os assassinos profissionais Vicent Vega e Jules Winnfield (John Travolta e Samuel L. Jackson; Plup Fiction – 1994) ou o pistoleiro e ex-escravo Django (Jamie Foxx; Django Livre – 2012), entre tantos outros... Todos eles com histórias fantásticas e atuações memoráveis em filmes épicos. Em Bastardos Inglórios, o Coronel da SS Hans Landa (Christoph Waltz) não foge à essa regra.

Mesmo não sendo o personagem principal, é impossível negar que Waltz roubou a cena. Cada aparição do antagonista era sinônimo de apreensão de quem estava assistindo, sempre queremos saber qual será o próximo passo do personagem. Historicamente, os nazistas são sinônimo de crueldade, e não seriam passiveis de qualquer compaixão por nenhuma pessoa sensata, mas, obviamente por se tratar de pura ficção, Hans Landa, mesmo não sendo menos cruel e impiedoso que qualquer nazista, se mostra um personagem extremamente carismático.



O personagem, que inicialmente seria vivido por Leonardo DiCaprio, se mostra inteiramente cruel, impiedoso e perspicaz desde sua primeira aparição ao som de Fur Elise (Ludwing Van Beethoven) desde a primeira cena do filme. Waltz constrói um detetive frio, irônico, mas altamente inteligente. O “Caçador de Judeus”, como é apelidado, é quase um Sherlock Holmes do mal, capaz de descobrir qualquer informação a qualquer custo, a ponto de retirar lágrimas de um pai de família pelo fato de ele estar escondendo judeus em sua casa. Landa é um exemplo de como um vilão deve ser executado, afinal, mesmo sabendo que ele é o vilão, você consegue enxergar todas as suas qualidades, por mais maléficas que elas sejam, e no fim das contas, mesmo torcendo para que ele se dê muito mal, você acaba, de certa forma, admirando suas habilidades.

O próprio Tarantino disse que Landa é, talvez, o maior personagem que ele já tenha escrito, mas isso tudo não seria suficiente sem a magistral atuação de
Christoph Waltz, que lhe rendeu muitos prêmios, inclusive o de Melhor Ator em Cannes e o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Waltz dá a elegância de um lorde Inglês (ou um Lorde Austríaco, nesse caso) ao personagem, fazendo com que o assassino, selvagem, cruel e impiedoso se esconda em um perfeito cavalheiro, poliglota, quase sempre sorridente, como se fosse um Pitbull vestido de smoking.


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Escrito por: João Victor Barbosa.

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