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Akira - O precursor do Cyberpunk japonês.

Filmes bons conseguem fazer você viajar no tempo, te levam para outras épocas que você não conseguiria conhecer, no passado ou no futuro. No cinema de ficção científica, falar sobre o tempo que ainda está por vir é algo muito explorado, como, por exemplo, viagens no tempo ou em que a sociedade pode se transformar em algumas décadas ou séculos, e se isso for bem feito, vai deixar essa obra imortalizada na mente de todos que a assistirem.



A ideia de caos futurista que Akira (1988) tem para passar para o seu espectador é muito interessante, incluindo conflitos sociais, políticos, confrontos entre população vs polícia e o papel da "religião" na sociedade. O filme é inspirado em um mangá japonês de mesmo nome, do gênero Cyberpunk, escrito em 1982 sendo um dos primeiros a levar essa alcunha. Uma obra um tanto quanto revolucionária para a época em que foi lançada, mesmo que a sua versão audiovisual se tornasse muito mais cohecida e famosa que o próprio Mangá. Akira traz uma certa semelhança com Blade Runner (1982), como o futuro distópico (para nós, praticamente um presente distópico), a decadência moral da raça humana e o próprio ano em que os eventos dos longas ocorrem (2019).

Akira (1988) - Katsuhiro Otomo
É uma animação indiscutivelmente violenta, ela de fato não foi feita pensada em ser direcionada à crianças, contém várias cenas tensas incluindo sangue e golpes que são proferidos pelos personagens de uma forma bem explícita além de outras até um pouco mais chocantes que o normal. Essas tomadas violentas hora mais realista, hora mais lúdicas, como costmua ser trabalhado nos ocidentalmente famosos Animes do gênero "shonen", ditam um ritmo extremamente frenético para todas as 2 horas e 5 minutos de filme. Essa freneticidade misturada à todo o caos do cyberpunk e um roteiro Sci Fi não deixam o espectador se desinteressar durante o primeiro e segundo ato do filme até chegar ao terceiro que finalmente traz um desfecho para a trama.

Akira (1988) - Katsuhiro Otomo
O começo procura focar um pouco em Kaneda e seus companheiros de gang que pilotam motos e se envolvem em uma espécie de briga generalizada com outras gangs. Os veículos são um charme e tanto para a estética da obra, principalmente a motocicleta do protagonista que com certeza deixaria você com vontade de pilotá-la. Depois de mostrar os motoqueiros, o longa trata de apresentar o lado mais "científico" da ficção, (como experimentos governamentais), quando de repente, essas duas perspectivas se cruzam (logo no início).

No que diz respeito à Akira (o personagem que dá nome à obra) o mistério feito em volta dele funciona. Por um momento nos pegamos pensando em como ele deve ser, como é a sua aparência e o filme deixa claro que é um ser que tem bastante poder, nas premissas impostas pela mitologia desse universo distópico, e que é praticamente tratado como um Deus pela população, quase algo mitológico.

A fotografia e a arte são praticamente impecáveis, trazendo 327 cores diferente sendo que 50 foram feitas exclusivamente para Akira, um récorde que se mantém até hoje. Por mais que não tenha a qualidade de texturas dos filmes 3D, esse é um ótimo exemplo de como a animação 2D é interessante e tem lugar cativo na apreciação dos espectadores.

Akira (1988) - Katsuhiro Otomo

A direção de Katsuhiro Otomo é bem imersiva e o roteiro é bastante original e muito cativante, apresentando conflitos bem estruturados entre os personagens e dando bastante impulso narrativo à eles, principalemte aos personagens de Kaneda e Tetsuo que desenvolvem arcos intrigantes. Porém, no último e derradeiro ato, uma série de decisões um pouco duvidosas são tomadas por parte do roteiro. Os conflitos se tornam grandes demais e as soluções que são apresentadas para remediá-los acabam não sendo muito convincentes e o filme acaba se perdendo e bagunçando um pouco a trama por tentar ser grandioso em demasia.

Akira é um filme importante para a cultura Cyberpunk e tem um legado muito presente no cenário atual, ajudou a fortalecer temática durante bons anos. A estética é incrível e, por mais que existam alguns erros no roteiro, mais recorrentes no último ato, é uma obra que merece o reconhecimento e o respeito que muitos têm por ela. Com um olhar conturbado da sociedade e uma postura bem a frente de seu tempo, é um filme que, de fato, merece ser assistido.


Não deixe de ver Akira.

E você? Concorda ou Discorda? Deixe sua opinião nos comentários!

Escrito por: Herberty Souza

Comentários

  1. Cara, eu sou realmente fã do gênero Cyberpunk, Akira é um marco que influencia várias obras até hoje em dia! Junto com o Blade Runner e Ghost in the Shell, este último sendo minha animação favorita, são para mim a Trindade Cyberpunk dos anos 80! Kkkkkk Essas obras são tão importantes que vemos referências cruzadas até hoje como Matrix e outras obras bases como o livro Neuromancer, sendo mais recente exemplos como Bright e Altered Carbon, ou seja AKIRA É DEMAIS, precursor de técnicas e estilos que você observou muito bem, logo sua coluna também é DEMAIS! Kkkkkkkkkkkk
    PS: Você sabia que o personagem K9999 do The King of Fighers é uma homengaem a um personagem de Akira? Kkkkkkkkkk

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  2. Mano, valeu pelo elogio. Gosto muito de Cyberpunk também, essa daqui é uma prévia pra Blade Runner futuramente no Blog. Sobre o K999, eu pensei em falar sobre a influência do personagem de Akira, não só a aparência como os poderes, mas como isso só é revelado no fim do filme eu achei que seria um puta spoiler.. kkkkkkkk
    Vou ver se eu assisto Ghost in The Shell também em breve.

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