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Amores Perros - Iñáritù longe de Hollywood.

No início dos anos 2000, surgiu no México um cara disposto a fazer um trabalho cinematográfico bem detalhado, com três histórias diferentes, trama complexa, estudo de personagem aprofundado e um estilo de direção que talvez fosse muito ambicioso para alguém que não estava trabalhando na grande indústria de Hollywood. Em 2000, Alejandro González Iñáritù lança seu primeiro longa e mostra para o mundo como se faz uma estreia de gala fora dos EUA para alçar voos incríveis no futuro.

Amores Perros (2001) - Alejandro González Iñáritù


Nascia Amores Perros (2000), um filme denso, pessimista, realista e visceral, com uma amostra de como a teoria do caos trabalha com causa e efeito. Traz um roteiro recheado de referências ao próprio trabalho, mas nunca a troco de nada, tudo tem um motivo, toda aparição é relevante e o mais importante,  nenhuma causa fica sem efeito.


Amores Perros (2001) - Alejandro González Iñáritù

O longa trata de mostrar um evento importante com uma ação frenética na primeira sequência de cenas, para só depois começar a explicar o que de fato levou àquele desfecho, sendo esse evento o ponto mais importante do filme, que acaba cruzando três histórias e núcleos de pontos de vista diferentes e que sempre será retomado em um momento futuro.




Amores Perros (2001) - Alejandro González Iñáritù



O primeiro núcleo conta a história de Octavio (Gael Garcia Bernal), um rapaz pobre da periferia do México que tem sérios problemas com seu irmão criminoso Ramiro (Marco Pérez) e que desde o início mostra um interesse amoroso por Susana (Vanessa Bauchce), namorada de seu irmão e mãe de seu filho. Num desespero para conseguir dinheiro e crescer de vida, Octavio descobre que seu Rottweiler é um guerreiro que estrassalha outros cães, resolvendo então colocá-lo em rinhas clandestinas que irão lhe render um bom dinheiro. O trabalho nesse núcleo é tão bem feito que Alejandro acabou sendo acusado por uma associação de proteção aos animais de maus tratos para com os cães de seu filme, algo que ele conseguiu provar que não aconteceu de fato, já que nenhum cão foi maltratado e todos estavam vivos, bem e felizes no fim da gravação. As atuações são operantes, todos eles convencem em suas ações, principalmente os cães que se mostram muito violentos e sanguináriaos, o trabalho de Iñáritù com os caninos é realmente impressionante.

Amores Perros (2001) - Alejandro González Iñáritù
No segundo núcleo, temos a modelo Valeria (Goya Toledo) e o trabalhador corporativo Daniel (Álvaro Guerrero), que compõem um contraste ao núcleo anterior, onde se faz presente luxo e riqueza, uma alegoria à desigualdade social, mas que mostra ao mesmo tempo como que o caos e o desespero podem tomar conta de qualquer um em qualquer classe social. Esse núcleo é menos estético e frenético, porém, mais psicológico e que faz o espectador refletir sobre o que realmente é importante na vida de uma pessoa, contando com o jeito peculiar do diretor para transitar entre essas disparidades. As atuações também são muito bem executadas aqui.

Amores Perros (2001) - Alejandro González Iñáritù
O terceiro e último núcleo mostra El Chivo (Emílio Echevarría), um homem perturbado pelo passado que ao mesmo tempo é mendigo e assassino de aluguel. Essa é a minha parte favorita da obra, mostra um arco de redenção completamente diferente dos núcleos anteriores, como se El Chivo fizesse o caminho de volta de uma vida triste e escura enquanto os outros personagens caminham em direção à ela. Emílio Echevarría executa sem dúvidas a melhor  interpretação do filme, dando vida à um personagem profundo, multifacetado e emocionante.

Amores Perros se tornou o primeiro filme de uma trilogia, que as pessoas costumam chamar de "trilogia da morte", ou, "trilogia da perda" por falar de assuntos que nenhum ser humano gostaria de passar. A trilogia ainda conta com 21 Grams (2003) e Babel (2006), todos dirigidos por Alejandro González Iñáritù.

O nome "Amores Perros" faz uma alusão aos cães que estão presentes em todos os núcleos do filme, sendo que "perro" significa cão em espanhol e, como diz no título, fala de amores, mas a pior forma de amor, aquele que envolve traições, falhas e desejo por aquilo que não se pode ter.

O longa concorreu e venceu o Óscar de melhor filme estrangeiro em 2001, alavancando a carreira do diretor mexicano que chegou ao ápice em 2015 e 2016 quando Iñáritù levou a estatueta de melhor diretor para casa durante dois anos consecutivos, uma por Birdman (2014), que também venceu na categoria de melhor filme, e outra por O Regresso (2016) que deu o primeiro Óscar de melhor ator da carreira de Leonardo Dicaprio.

Amores Perros é um filme incrível, instigante e muito bem dirigido e produzido, que se tornou um clássico do cinema e alavancou a carreira de um dos melhores diretores da atualidade. Uma obra dessas não pode ser perdida.

Assista a Amores Perros.

E você? Concorda ou Discorda? Deixe sua opinião nos comentários!

Escrito por: Herberty Souza.

Comentários

  1. O que o seu coração mandar










    (Desculpa a idiotice, mas o meu coração mandou eu ver esse filme)

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