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O Túmulo dos Vagalumes: Um filme necessário.

Animação é sinônimo de filmes com finais felizes, princesas em busca do príncipe encantado, aventuras espetaculares, estamos cheios de exemplos que confirmam isso pelo mundo a fora... mas esse aqui é diferente e foge à essa regra de um jeito esplêndido.



Antes de introduzir o assunto da animção em si, gostaria de falar o quanto que O Túmulo dos Vagalumes (1988) é um filme importante históricamente. Trata-se de um longa baseado nos seguidos bombardeios ocorridos no japão durante a segunda grande guerra mundial (não as bombas atômicas que atingiram Hiroshima e Nagazaki, mas os bombardeios menores adjacentes), sendo assim, o peso da tristeza e dramaticidade que é sentido pelos japoneses é essencial para a compreensão deste filme. Vários ataques aliados foram realizados no país (principalmente pelos norte americanos) e essa cicatriz pode ser sentida na pele deles até hoje. Esta animação é uma bela e importante lembrança aos acontecimentos da década de 40 e é como uma homenagm misturada a um sentimento de luto que reverbera entre as camadas da arte e da sociedade.

O Túmulo dos
Vagalumes (1988) - Isao Takahata

Começando o filme, percebemos o quão catastrófico os arcos dos personagens principais serão a partir da primeira frase proferida pelo narrador-personagem (Seita) que precisa proteger e cuidar de sua irmã mais nova (Setsuko). Uma mensagem é passada ao espectador a partir do primeiro segundo da animação que praticamente diz: "Esse é um filme bem triste, ou você aceita isso desde agora ou você desiste logo". Se você decide por acompanhar a jornada dos personagens, vai perceber como esta mensagem inicial nas primeiras frases do filme estava correta.

O Túmulo dos
Vagalumes (1988) - Isao Takahata

Não é o tipo de carga dramática que é jogada em cima do espectador de uma vez só e depois é aliviada, o que o filme faz é passar toda a angústia dos personagens aos poucos. O desespero, que não abala a eles no começo da narrativa, pega você primeiro para depois ser realmente mostrado em Seita e Setsuko. Tudo isso é passado de uma forma branda, porém, gradativa que alcança seu ápice no fim do último ato, fazendo questão de lembrar o quão egoísta e omissa pode ser a raça humana para com aqueles que necessitam realmente de ajuda.

O Túmulo dos
Vagalumes (1988) - Isao Takahata

A representação da barbárie aqui não é martelada na figura dos Estados Unidos, o que não seria errado de se fazer, porém, um caminho muito fácil e muito comum a se seguir. Os aviões amercianos são a maior forma de perigo iminente, responsáveis por todo o pânico e pelo soar das cirenes, porém, a verdadeira crueldade vem daqueles que estão perto, que deveriam prestar ajuda, ou seja, nós não temos uma figura que propaga o mal como um vilão que é demonizado pela história, é pior que isso, percebemos que este mal vem de todos os lugares, por todos os lados e de praticamente todos os personagens.

O Túmulo dos
Vagalumes (1988) - Isao Takahata

A relação entre Seita e Setsuko é o verdadeiro motor condutor da história, pois a função de prender a sua atenção, por mais que você saiba que o destino deles está praticamente traçado desde o início do filme, é cumprida com perfeição. Setsuko é o real sinal de esperança por todo o filme, ela é uma criança que tenta ser feliz e se divertir com poucas coisas independente da situação, um foco de luz em meio à escuridão da guerra, enquanto Seita apenas concentra todas as suas forças em proteger sua pequena e doce irmãzinha, a relação entre os dois é realmente algo bonito, incrível e tocante. Diálogos inesquecíveis são protagonizados por eles quando estão sozinhos e alguns detalhes passados por meras imagens são de tirar o fôlego e apertar o coração.

O Túmulo dos
Vagalumes (1988) - Isao Takahata

O trabalho de ambientação é perfeito, você se sente em uma zona de guerra e também em um Japão assolado pelo medo em meados do Séc. XX. Cada detalhe conta para mostrar como a guerra destrói tudo o que deu bastante trabalho para ser construído com muita facilidade e tudo se torna frágil, principalmente a vida das pessoas. Pequenos detalhes incorporados entre Setsuko e Seita também são primorosos e merecem atenção como uma forma impecável de aproximar o público dos irmãos. Sendo um filme do renomado estúdio Ghibli, responsável por clássicos como Meu Amigo Totoro (1988) e a aclamada A Viagem de Chihiro (2001) e dirigido por Isao Takahata, que também dirigiu O Conto da Princesa Kaguya (2013) podemos dizer que a qualidade do filme não precisa ser discutida.

É com certeza a animação mais triste e pesada que eu já vi. Ele não dá descanso aos seus sentimentos por um segundo sequer, pois mostra um retrato da guerra regado à lágrimas e angústias. Poucos filmes conseguiram fazer o que O Túmulo dos Vagalumes faz de forma primorosa: Ser realista e transmitir sentimentos puros. Pra fechar, meu conselho é: Depois que você pensar bastante e refletir sobre o ser humano e sobre a vida, após ter assistido a este filme, assista uma animação mais leve para tirar o peso que vai ficar no seu peito, mas não deixe de assistir a O Túmulo dos Vagalumes, pois com toda certeza, é um daqueles que não podem deixar de serem assistidos e que já está no hall de filmes importantes para a humanidade.


Não deixe de ver O Túmulo dos Vagalumes.

Escrito por: Herberty Souza.

Comentários

  1. Acho que essa foi a minha resenha favorita até agora.

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    1. E esse é o meu comentário favorito até agora Hahahah. Valeu!

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  2. Você realmente sabe como fazer alguém ficar com vontade de assistir algo somente escrevendo kkkkkk que isso, o texto parece grande, mas dá vontade de ler até o fim por não ser prolixo e bem redigido, talvez eu vá maratonar animações japonesas agora. Kkkkkkk

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    1. Kkkkkkkkkk valeu, mano. Hoje eu vou assistir Akira, talvez mais pra frente eu faça uma resenha sobre.

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  3. Cara, adorei o texto. Gostei muito das imagens que escolheu e da contextualização histórica. Os pontos que você ressaltou do filme me fizeram vir aqui pro computador dar um jeito de assistir agora!

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    1. Obrigado, espero que tenha gostado do filme do mesmo jeito que eu gostei! Hahahaha

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    2. ESSE FILME QUASE PARTIU A PORRA DO MEU CORACAO! Mas eu gostei muito... Rs. É tão lindo quanto triste.

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  4. Estou doida para assistir. Adoro quando a ficção nos leva à análise social e histórica.

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    1. E é um filmaço! Muito bonito e muito emocionante! Aposto que vc vai gostar muito. 👍

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