Stanley Kubrick resolve fazer mais um filme de guerra moderna depois de Medo e Desejo (1953) e Glória Feita de Sangue (1957). Diferente dos longas que o consagraram anteriormente, ele não quer fazer um projeto grandioso em demasia como 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), nem ser socialmente polêmico como em Laranja Mecânica (1970) e nem tão subversivo como em O Iluminado (1980), o que Kubrick quer é simples: Mostrar para o público como que a presença norte americana no Vietnã estava errada e não deveria ter ocorrido.
É partindo de um ponto inicial específico que Kubrick demonstra isso aos espectadores em Nascido para Matar (1987) com um início diferente dos filmes de guerra que seguem um padrão. Aqui, os recrutas logo aparecem em cena sendo iniciados na preparação para a entrada à marinha. Todos os personagens mais importantes para o decorrer do filme são apresentados nesta cena, que é de fato engraçada por se tratar de uma gritaria por parte do Sargento Hartman (R. Lee Jones) dando apelidos aos novos comandados se tornando uma cena icônica do cinema até hoje.
O filme consegue fluir entre dois tons completamente opostos (humor e drama) sem perder a coesão ou ficar enfadonho. Um belo exemplo disso é o personagem Leonard Lawrence, apelidado de Pyle (Vincent D'Onofrio) que é apresentado de uma forma bastante cômica mas vai desenvolvendo um arco dramárico, junto com o protagonista conhecido apenas por Private Joker (Matthew Modine) que fica responsável por Pyle, até certa parte do longa em que a rotina do Sargento Hartman começa a desestabilizá-lo. Joker, inclusive, trata de assuntos ambíguos no filme o tempo inteiro. Por mais que tenha escrito "Nascido para Matar" em seu capacete, as suas ações vão revelar completamente o contrário.
Até determinada parte, o filme segue algumas repetições nos treinamentos para passar a sensação de rotina que é implementada nos recrutas para transformá-los em verdadeiras máquinas de guerra, homens que sabem que estão indo para o campo de batalha e que podem nunca mais retornar para suas famílias. Este medo da morte e de não retornar aos entes queridos está presente no longa, mas por mais que essa temática seja bem abordada no filme, ela nunca se torna um melodrama que apela para o emocional dos espectadores. O filme tem uma mudança de contexto quando Joker vai para o Vietnã e entra em contato com a guerra de fato. Tudo aqui é mostrado da forma que qualquer pacifista sempre alerta que tenha sido, mortes, extermínios, manipulação de informações e aquela dúvida no ar de "será que eu estou fazendo o que é certo?" e vai mais além, colocando na fala de um personagem que diz que nada disso faz sentido. Alguns momentos muito bem elaborados de elementos de documentário são apresentados em uma parte do filme, como se mostrasse o dia a dia dos soldados e o que eles teriam de fazer na guerra.
Alguns problemas nos efeitos práticos podem ser notados aqui ou ali, como uma bomba que explode mas não convence como uma explosão real ou um tiro que não dá pra ter muita certeza se atingiu um certo alvo, mas isso não conta como um ponto negativo para a trama, pois o que ela tem a dizer é maior que estouros de bombas, tiro e sangue e Kubrick sabia disso. Podemos teorizar que ele não se importou muito em deixar algumas dessas partes de dinamismo do filme mais inverossímeis.
Por mais que seja um filme com uma forte crítica social e que se posicione sobre os motivos da guerra (ou a falta deles), Nascido para Matar (ou Full Metal Jacket no idioma original) não se torna pesado ou arrastado, se mostrando também um filme divertido e bastante interessante de se assistir. É gratificante o jeito que o longa mostra no fim como aqueles soldados não são simples máquinas de guerra, mas seres humanos que têm sentimentos e emoções, a última cena é bastante curiosa e interessante por mostrar exatamente isso de um jeito formidável.
Não deixe de ver Nascido para Matar.
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Escrito por: Herberty Souza.
É partindo de um ponto inicial específico que Kubrick demonstra isso aos espectadores em Nascido para Matar (1987) com um início diferente dos filmes de guerra que seguem um padrão. Aqui, os recrutas logo aparecem em cena sendo iniciados na preparação para a entrada à marinha. Todos os personagens mais importantes para o decorrer do filme são apresentados nesta cena, que é de fato engraçada por se tratar de uma gritaria por parte do Sargento Hartman (R. Lee Jones) dando apelidos aos novos comandados se tornando uma cena icônica do cinema até hoje.
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| Nascido para Matar (1987) - Stanley Kubrick |
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| Nascido para Matar (1987) - Stanley Kubrick |
Alguns problemas nos efeitos práticos podem ser notados aqui ou ali, como uma bomba que explode mas não convence como uma explosão real ou um tiro que não dá pra ter muita certeza se atingiu um certo alvo, mas isso não conta como um ponto negativo para a trama, pois o que ela tem a dizer é maior que estouros de bombas, tiro e sangue e Kubrick sabia disso. Podemos teorizar que ele não se importou muito em deixar algumas dessas partes de dinamismo do filme mais inverossímeis.
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Escrito por: Herberty Souza.





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