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Logan - Despedida em grande estilo.

Despedidas são difíceis, o adeus é complicado, ainda mais quando estamos acostumados a ponto de substituir em nossas mentes as imagens da realidade e não conseguir imaginar o mundo sem determinadas coisas que, para nós, começam a fazer parte fundamental da normalidade. Nos próximos anos, vamos ter que nos comformar com a ausência daquele cara que modificou completamente os conceitos de incorporar um personagem de HQ.


Desde X-Men: O Filme (2000), Wolverine é Hugh Jackman e Hugh Jackman é Wolverine, sem sombras de dúvidas um dos melhores castings que eu você já vimos retirado de uma história em quadrinhos, mas em Logan (2017) o ator se despede do público em um fechar de cortinas sensacional com direito ao seu melhor trabalho como o personagem e um dos melhores filmes do subgênero, que carecia de mais qualidade técnica e leveza no CGI à um tempo.

Logan (2017) - James Mangold.
O que James Mangold, que já tinha dirigido o regular Wolverine Imortal (2013), faz aqui é incrível, simplesmente por ter, desta vez, um material livre de interferências do estúdio e muito mais autonomia no projeto. Hugh Jackman e o próprio Logan estão inreconhecíveis em aparência, ele está mais velho e cansado e tem que cuidar de um mais debilitado ainda, além de mentalmente abalado, Charles Xavier, interpretado mais uma vez por Patrick Stweart que também chega ao seu melhor trabalho com o personagem. O que falhava nos filmes da franquia, a Fox faz o amável favor de corrigir, como exploração de personagens, um roteiro coeso e finalmente a tão aguardada e esperada violência bem feita que o famoso Wolverine costuma empregar nas histórias em HQ dos X-Men.


Logan (2017) - James Mangold.
A direção está muito bem operante, principalmente por não chamar a atenção para si, dando total crédito e atenção ao trabalho de roteiro (concorrente ao Oscar de melhor roteiro adaptado) e principalmente aos personagens e atuações. Logan não tem aquela presença onipotente que vemos nos demais filmes dos X-Men, muito pelo contrário, a sua debilidade, por conta do adamantium que cobre seus ossos, faz com que qualquer luta que o envolva ofereça um real risco ao personagem, o que traz benefícios a história por fazer com que o espectador sinta mais empatia para com ele. Por outro lado, Laura (Dafnee Keen), ou X-23 como eu prefiro, traz a jovialidade e o real perigo físico que nós tanto gostamos nos filmes antigos, o que parece uma revitalização do passado de Wolverine. É o equilibrio perfeito entre experiência e força que a dupla traz muito bem quando estão contracenando juntos, principalmente por, de certa forma, representar uma passagem de bastão que sai de Wolverine e chega nas mãos da X-23, e o filme vai além, mostrando um dos personagens mais brutos do cinema e da cultura pop tendo que agir como pai e protetor, algo que, convenhamos, nunca combinou muito com a figura de Logan, mas é muito interessante de se ver, sem dúvidas, um dos pontos altos da obra.

Logan (2017) - James Mangold.
O roteiro é um prato cheio para quem está cansado do que geralmente é empregado nos filmes de super heróis. Como em Deadpool, a classificação indicativa mais rigorosa é muito gratificante e proporciona um tipo de estética que eu nunca imaginaria conseguir ver em um filme de super herói. A história é muito dinâmica e bem contada, nós queremos saber o que acontecerá com os protagonistas e se eles conseguirão sair dos conflitos ilesos. A trama que propõe uma fuga durante a maior parte do filme e não um confronto de seres super poderosos é uma quebra dos clichés do passado como em X-Men - O Confronto Final (2006). E o emocional não é deixado de lado, nunca caindo para um melodrama barato, principalmente pelo fato de os fãs saberem que este é o último momento de glória do Hugh Jackman como Wolverine nas telonas, mas além disso, o que é feito com os espectadores é incrível, nós nos conectamos com os personagens e sentimos a real dor deles, não somente a física, mas também a emocional, além da sempre muito aclamada alegoria segregacionista, mostrando como não devemos nos portar quando encaramos as diferenças, que X-Men sempre nos trouxe, não só nos filmes, como nas HQs também.

Logan é um filme belo, divertido, emocionante, instigante e acima de tudo muito bem executado. Um fim digno para uma interpretação digna de ser lembrada, não só nesse longa, mas em todos os 17 anos de personages. Hugh Jackman e suas garras vão, com toda certeza, deixar saudade.


Não deixe de ver: Logan.

E você? Concorda ou discorda? Deixe sua opinião nos comentários.

Escrito por: Herberty Souza.

Comentários

  1. "O roteiro é um prato cheio para quem está cansado do que geralmente é empregado nos filmes de super heróis" - Ok, me convenceu haha
    Muito emocionante e triste o começo dessa resenha, talvez seja por isso que ela me fez ter vontade de finalmente ver Logan!

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    Respostas
    1. Esse filme é muito dramático mesmo, não tem nem aqueles raios de luz que costumam ter... e eu acho que vc vai gostar da personagem chamada Laura, não sei pq.. kkkkkkk

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