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A não-linearidade dos filmes do Nolan.

Christopher Nolan 

Assistindo recentemente à Dunkirk (2017), último longa de Christopher Nolan, notei uma singularidade que tornou o Diretor famoso no começo do milênio por Amnésia (2000) que se trata de um jeito totalmente diferente do tradicional para contar suas histórias. Essa singularidade se encontra na edição de seus filmes, onde o conceito de linearidade é totalmente subvertido pelo diretor.

Memento (2000) - Christopher Nolan


Em Amnésia (ou Memento no idioma original), Nolan passa essa falta de linearidade como um elemento narrativo muito criativo, pois nós podemos nos aproximar mais do protagonista e entender como a doença psicológica que ele tem influencia na continuidade do filme, com isso em mente, ele prepara o terreno pra um filme magnífico que é literalmente contado e editado de trás para frente, o que só dá mais mérito e brilhantismo ao filme. Com atuações ótimas e uma bela direção, poucas pessoas se lembram desse filme se o compararmos com A Origem (2010),  Interstellar (2014) e a aclamada trilogia do Cavaleiro das Trevas (2006 - 2012), por exemplo(ironicamente trágico como um filme que tem como principal foco o esquecimento, foi um pouco esquecido pelo público) se tornando, provavelmente, o filme mais subestimado do diretor.

Dunkirk (2017) - Christopher Nolan


Com Dunkirk a história é um pouco diferente. O propósito da edição não linear nesse filme não tem o propósito de abrilhantar o filme, mas sim esconder o máximo possível os personagens e humanizá-los para dar mais credibilidade aos fatos históricos e acontecimentos, sendo assim, não vemos heróis que se destacam, mas um esforço coletivo para executar a missão e para a sobrevivência, é pra isso que as mudanças de perspectiva são feitas. Mas, o problema começa a aparecer quando: a) percebemos que essa edição, nesse filme, não é tão brilhante; e b) ficamos confusos e sem saber onde e o que estamos vendo em determinados momentos. Por algum instante, eu lembrei do modo que Pulp Fiction (1994) foi editado e me pareceu que seria algo parecido, só que em uma guerra e com uma carga dramática maior, porém, Dunkirk não consegue fazer uma ligação entre as tomadas e deixar coeso como no filme de Quentin Tarantino.


Dunkirk (2017) - Christopher Nolan

Dunkirk foge do que foi proposto por Amnésia, mas ainda traz uma idéia de subversão narrativa através da edição interessante. O comparativo entre esses filmes serve bastante para avaliar como o trabalho do Nolan evoluiu e o que podemos esperar no futuro. Técnicas e histórias que fogem do padrão sempre são bastante interessantes e bem provavelmente, nós possamos dizer que Nolan é, atualmente, um dos melhores e mais criativos diretores para essa função.

E você? Concorda ou discorda? Deixe sua opinião nos comentários!

Escrito por: Herberty Souza.

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