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Oscar 2018: O melhor filme levou a estatueta?

The Shape of Water (2018) - Guillermo
Del Toro

Por mais que seja um pouco tarde, eu gostaria de falar sobre algo que me inquietou no começo desse ano. A cerimônia do Oscar seguia com as premiações bem divididas e sem um monopólio de um super filme vitorioso como Senhor dos Anéis em 2004 ou Titanic em 1998. Get Out ganhava melhor roteiro adaptado, me dando uma ótima surpresa e eu seguia confiante que o resto da noite seria justa e a estatueta de melhor filme realmente iria para aquele que era considerado, por mim pelo menos, como melhor filme. Até que aconteceu algo que, não era totalmente surpreendente mas, deixava aquela dúvida, aquela pulga atrás da orelha e uma sensação de "será que isso está certo?"

 Nessa edição, o responsável por essa dúvida foi Three Billboards Outside Ebbing, Missoure (2017) do diretor Martin McDonagh e roteirizado pelos irmãos Coen, um filme com um roteiro mais forte, interpretações mais presentes, personagens muito mais memoráveis e motivações mais convincentes; em suma, um filme bem mais inesquecível e profundo que The Shape of Water (2018) filme premiado com a estatueta máxima esse ano e que é sim um belo e bom filme (mais belo que bom). Mesmo tendo recebido o aclamado e (esse sim) merecido Oscar de melhor diretor que aguardava desde O Labirinto do Fauno (2006), não é correto afirmar que Del Toro tenha feito um filme realmente merecedor da alcunha de melhor filme do ano

Three Billboards Outside Ebbing
Missoure (2017) - Martin McDonagh 

A forma como Three Billboards aborda as consequências do ódio e para qual direção ele te leva em sua vida é muito mais imersiva do que a mensagem de "amor sem fronteiras" do Del Toro. Nas escolhas de cada personagem e a cada ação tomada por eles nós podemos ver que o desenrolar da narrativa vai ficar mais interessante, enquanto as interpretações que renderam merecidos Oscars para Frances McDormand e Sam Rockwell (não só as deles) transmitem os sentimentos de inconformismo e raiva além de um temor por como a história irá terminar, aliás, um desfecho um tanto quanto surpreendente, diga-se de passagem.

Nas questões técnicas, The Shape of Water tem todosos méritos creditados. A direção de arte cumpre muito bem o seu papel e impressiona em diversas cenas que você se pega pensando "uau, isso é realmente muito bonito!", além do excelente trabalho com as cores, desde o uso do verde em praticamente toda fotografia, que nos remete o tempo inteiro a um ambiente úmido e sereno como o fundo do oceano, até os detalhes em vermelho da protagonista logo após cenas e sequências de paixão, porém, essas qualidades indiscutíveis do filme não são o suficiente para validar a entrega da estatueta, uma vez que o roteiro traz fragilidades e aquela sensação de "eu já vi isso em algum lugar". me lembro do final em que, substituindo alguns personagens, me senti vendo uma versão live action de A Bela e a Fera.


The Shape of Water (2018) - Guillermo Del Toro

Não foi o melhor que foi premiado naquela noite de março, mas sim o filme que a academia achou conveniente premiar e por um possível "Oscar da vez". Não é um filme ruim mas não era o real vencedor da noite, no fim das contas, a premiação acabou saindo melhor que a encomendo para Del Toro e um pouco triste para McDonagh, mas pelo menos nós podemos decidir qual desses filmes mais nos interessa assistir por mais uma vez e repetir a dose o quanto acharmos conveniente.

E você? Concorda ou discorda? Deixe sua opinião nos comentários!

Escrito por: Herberty Souza

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